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como despedida
hora de fechar o boteco. valeu a experiência, proveitosa. agradeço aos visitantes que passaram por aqui e tiveram curiosidade e paciência de ler os textos publicados. beijos a todos e a ninguém. semana que vem, a luz se apaga.
Escrito por Dado às 02h48
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I
tudo tão rápido ao mesmo tempo agora tudo parado o falso tiro o grito o guincho do pneu e eu e eu e eu deixando o mundo rodar
II
sem querer mudo no meio da tarde na boca da noite no lusco-fusco do crepúsculo hora boa pra morrer
III
mas nada eu ainda ali entre o susto e o surto na cidade velha poeira calor asfalto o medo era o salto do tiro que não era e a queda pra dentro de mim
Escrito por Dado às 17h52
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um do Manu
GENOCÍNDIO (crianças batem palmas nos portões)
tem pão velho?
não, criança tem o pão que o diabo amassou tem sangue de índios nas ruas e quando é noite a lua geme aflita por seus filhos mortos.
tem pão velho?
não, criança temos comida farta em nossas mesas abençoada de toalhas de linho, talheres temos mulheres servis, geladeiras automóveis, fogão mas não temos pão.
tem pão velho?
não, criança temos asfalto, água encanada super-mercados, edifícios temos pátria, pinga, prisões armas e ofícios mas não temos pão.
tem pão velho?
não, criança tem sua fome travestida de trapos nas calçadas que tragam seus pezinhos de anjo faminto e frágil pedindo pão velho pela vida temos luzes sem alma pelas avenidas temos índias suicidas mas não temos pão.
tem pão velho?
não, criança temos mísseis, satélites computadores, radares temos canhões, navios, usinas nucleares mas não temos pão.
tem pão velho?
não, criança tem o pão que o diabo amassou tem sangue de índios nas ruas e quando é noite a lua geme aflita por seus filhos mortos.
tem pão velho?
Emmanuel Marinho www.emmanuelmarinho.com.br
Escrito por Dado às 14h30
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minha amiguinha índia
 ...existirá ainda?
Escrito por Dado às 16h15
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remédio pra alergia
ingerir verde vivo pelos olhos
Escrito por Dado às 15h04
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inauguro agora a nova infância. a escolhida. consciente, viva. quase administrada.
inaugurando nova infância vou fazer o que me alegra. o que me assusta, o que me assombra.
o mundo inventado, verter para fora. a literatura que cuide da literatura. eu quero brincar, dançar. eu só quero ser feliz… eu só quero ser eu. preciso.
inauguro a nova infância também por isso. um boato, o meu – nosso de quem quiser no Rio, no Brasil, na América, no planeta e no vazio e além mas sempre a partir daqui desse corpo agora
inauguro a nova infância. já estou brincando. adoro inaugurar coisas. e bichos, e pessoas. agora mesmo estou me inaugurando. de novo.
Escrito por Dado às 13h27
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tô tão leve love nuvem
tão claro na penumbra
corpo nu na sombra desse sono meio-dia
tô tão leve
neve novo
acabo de sair do ovo casca velha que dissolvo
em hálito fôlego exalações de sonho
que nada
só tô vivo livre leve
passou a febre vida boa brisa breve
Escrito por Dado às 11h59
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Escrito por Dado às 13h20
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todo anjo é terrível
abrir um livro antigo do Rilke e encontrar uma foto sua uma foto nossa abraçados no topo da montanha pode provocar tanta coisa
o gesto extremo - intempestivo telefonema
ou apenas o susto da surpresa uma reminiscência? ou o devaneio de que tudo que foi poderia ser de novo
a tarde quiçá não arda caso não haja tanto desejo
Escrito por Dado às 06h47
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Vem serpente, apareça bem aqui na minha frente que eu corto a sua cabeça de um golpe só deixe que eu ofereça esse serviço essa ação desinteressada cortar sua cabeça, mais nada pode ser com o facão ou então com a enxada cutelo, adaga, espada foice, punhal, cimitarra canivete ou peixeira, como queira minha missão é uma só cortar sua cabeça sem paixão nem dó
Escrito por Dado às 13h59
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